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FRASE DE HERÁCLITO FORTES

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Engano do senador. Um botequim que fosse administrado como o PT já teria fechado as portas há muito tempo."  

Do senador Heráclito Fortes (PFL-PI) a respeito da frase do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), segundo quem o PT era administrado, pelos dirigentes anteriores, como um botequim.

(Publicado em 22/08/2005) - Blog do Venerando

FRASES: DIVERSOS [AGOSTO DE 2005]

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FRASES: DIVERSOS [AGOSTO DE 2005]

"Impeachment não se propõe à sociedade. Espera-se a sociedade propor aos partidos em cima de fatos jurídicos incontestáveis. Mas não é tabu. Não pedimos agora pela falta desses requisitos". Sen.Artur Virgílio, líder do PSDB.

"Muitos querem jogar a corrupção para dentro do Palácio do Planalto, mas eu estou aberto como coração de mãe. Tenho a minha consciência limpa, a consciência tranqüila." Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República.

"O volume que foi passado tem que ser verificado". Delúbio Soares, PT (ex-tesoureiro).

"Eu autorizei o pagamento. A forma foi combinada entre eles (Valério e sacadores)". Idem.

"O que salvou o governo foi que mantiveram o rumo da economia". Fernando Henrique Cardoso (ex-Presidente da República).

"Acredito que, no detalhe, Lula não tomava conhecimento." Idem

"O Delúbio Soares consultava o ministro José Dirceu." Emerson Palmieri, PTB (ex-tesoureiro).

"Ele se identificou (em Lisboa) como Marcos Valério, do PT do Brasil, mas não como representante do governo brasileiro." Idem.

"Essa cifra não é factível (R$ 384 para o salário mínimo), sobretudo do ponto de vista da Previdência Social." Alberto Goldman, líder do PSDB na Câmara.

"Podem tirar o cavalo da chuva. Acho muito difícil que se consiga envolver o presidente Lula." José Alencar, Vice-Presidente da República.

"O mensalão é apenas a ponta do iceberg, há muito mais corrupção no PT." Anthony Garotinho, PMDB (ex-Governador do Rio).

"Parece que a nação está querendo ouvir mais (Lula)." Edson Vidigal, presidente do STJ.

"Nunca viajei com o senhor Delúbio Soares, e isso pode ser confirmado com meu passaporte." Marcos Valério, ex-empresário.

"É claro que estou preparado (para assumir a Presidência do país)." Severino Cavalcanti, PP (presidente da Câmara dos Deputados).

"Vamos aprofundar as investigações." Sen.José Jorge, líder da minoria.

"O depoimento de Emerson Palmieri (na CPI do Mensalão) não acrescentou nada. Ele morre de medo de Roberto Jefferson." Marcos Valério, ex-empresário.

"Não podemos deixar que o trabalhador assuma o ônus dessa crise." Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.

"Não vejo mais como ficar no PT". Sen.Cristovam Buarque.

"A Executiva (do PT), não se mostrou à altura do momento. Quer apagar o incêndio a conta-gotas.Dep.Chico Alencar (PT).

"É um longo processo que, não tenho dúvidas, terá punições exemplares." Tarso Genro, PT (presidente).

"Traidor é quem não diz a verdade." Sen.Cristovam Buarque (PT).

"Não sei o que Jefferson fez com o dinheiro." Emerson Palmieri, tesoureiro informal do PTB.

"Nenhuma história bonita justifica a corrupção, má-fé e desilusão que se espalham pelo país." Sen.Tasso Jereissati (PSDB).

"Nenhuma das denúncias saiu da oposição." Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República.

"Se ficar provada a desonestidade pessoal e cabal do Presidente, não vamos poupá-lo." Sen.Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado.

"A oportunidade de meditarmos a respeito de uma reforma política mais profunda não pode ser perdida." Carlos Eduardo Moreira Ferreira, vice-presidente da CNI.

"As doações para campanha de 2002 foram muito robustas. A minha campanha era totalmente superavitária. Muitas empresas quiseram doar recursos para a campanha e eu mandei doar para as campanhas nacional e estadual." Sen.Aloizio Mercadante (PT)

"Estou aliviado com a publicação desse contrato que mostra que não tenho qualquer participação." Idem

"Eu tenho certeza de que o próprio presidente Lula não participou da discussão. Um contrato como esse não foi esclarecido em nenhum momento à direção nacional do partido e nem aos candidatos envolvidos".Idem

"Se eles forem cassados, perdem automaticamente a filiação partidária. Acho que a ampla maioria dos parlamentares que estão mencionados caminha para a cassação. Eles não só vão perder o mandato, como também a filiação política e os direitos políticos." Idem

"Meu partido tem bons nomes, mas quero dizer que ficarei muito honrado se tiver a oportunidade de trabalhar pelo Brasil." Gov.Geraldo Alckmin (PSDB).

"Lula não muda nada, e continua com seus discursos inconseqüentes." Sen.Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado.

"Não sou traidor, nem delator (na CPI do Mensalão)."Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT.

"Não se pode admitir que o técnico não soubesse o que o time estava fazendo".Sen.José Agripino, líder do PFL.

"O ex-ministro José Dirceu está sofrendo acusações gravíssimas, mas até que seja comprovada a culpa, ele tem que ser considerado inocente." Paulo Bernardo, ministro do Planejamento.

"O povo não pode permitir que haja retrocesso no país." D. Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo.

"Cabe ao presidente Lula responder quem é 'o traidor' a que se referiu no seu discurso Dep.José Dirceu (PT), através de sua assessoria.

"O PT tinha gestão de botequim." Sen.Aloizio Mercadante (PT), líder do governo.

"É impensável não cassar mandatos." Dep.Osmar Serraglio, relator da CPI dos Correios.

"O governo acabou e temos que ver como não deixar o país naufragar nesse ano e meio que sobra." Dep.Fernando Gabeira, (PV).

"Zé Dirceu condenou Lula ao dizer: 'O presidente sempre teve conhecimento de tudo o que eu fazia'." Anthony Garotinho, ex-governador do Rio.

"Sou contra deixar para o partido escolher quem vai ser eleito." Carlos Velloso, presidente do TSE.

"O Brasil é o país do Carnaval, do futebol e do caixa dois." Oto Steiner, ex-diretor jurídico da Febraban.

"O impeachment nunca é bom para o país. Só deve ser usado se for, de fato, necessário." Paulo Bonavides, constitucionalista e professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará.

"Fatos mostram que há condições para impeachment." Roberto Busato, presidente da OAB.

"Estou na Vice-Presidência graças a Lula. Ninguém votou no 22, votou no 13." José Alencar (PL), vice-presidente da República.

"Não é hora de debater impeachment." Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo.

"Lula esconde sujeira em baixo do tapete Hélio Bicudo (PT).

"O governo do PT ainda dá sinas de vida, mas está na UTI." Dep.José Carlos Aleluia (PFL), líder da Minoria na Câmara.

"Enquanto se avoluma o maior escândalo de corrupção que o país já assistiu, o presidente segue em viagens inaugurando tudo que vê pela frente, de pintura de meio fio a ponto de ônibus." Maria Lucia Barbosa

"Sinto-me um pária." Henrique Pizzolatto

"Fui fazer uma coisa que ninguém poderia fazer por mim... Vocês sabem. Presidente da Câmara também faz xixi.(enquanto se votava o valor do salario mínimo)" Severino Cavalcanti

"O Lula garante que foi traído, que não sabia. Mas eu não acredito nisso. Foram práticas sistemáticas durante mais de dez anos, do grupo que era mais próximo do próprio Lula. Me parece completamente inverossímil que ele fosse o único a não saber. Todos sabíamos. Eu, que já estava fora do PT, sabia. Como o Lula poderia não saber?" César Benjamin, ex-dirigente do PT.
(Publicado em 20/08/2005) - Blog do Venerando

APOSENTOU-SE E DEIXOU OS BENEFÍCIOS

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Publicada no Diário Oficial da União do dia 5 deste mês a aposentadoria parlamentar do ex-deputado José Genoíno. Também ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, Sua Senhoria vai receber, a partir do dia 2 de agosto, o módico benefício de R$8 mil 148 reais - 52% dos R$12 mil 847 reais recebidos pelos deputados da "ativa" -, mais 4/35 daquele valor, ou seja, alguma coisa parecida com os R$9 mil reais que recebia, mensalmente, quando exercia as funções de presidente do partido.

Diferentemente dos Josés da Silva da vida, que levam tempo para receber seus "benefícios" quando solicitam aposentadoria, o ex-parlamentar - que, ao abandonar o cargo de presidente, triste e abatido, declarou ao povo brasileiro que estava desempregado e que tinha de sair mundo afora à procura de emprego -, teve seu benefício (este, sim, benefício) concedido exatos três dias depois de o solicitar. Assinou o ato concessório Sua Excelência deputado Severino Cavalcanti, ilustre presidente da Câmara dos Deputados.

Encanta-me nesta terra abençoada por Deus - e aos Zés da Silva, também - a eficiência de suas instituições.

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Quem tiver dúvidas quanto ás qualificações de alguns dos ministros em serviço nesta Terra de Santa Cruz, que veja a beleza de informação prestada por um deles, o da Defesa, hoje, ao distinto público que paga seu modesto salário [conforme avaliação do senhor Da Silva em recente declaração à imprensa]: afirma o ministro, Waldir Pires, de Paris, onde se encontra a serviço do Governo [fazendo o quê?] que a crise nos aeroportos brasileiros não será resolvida antes de um ano. Segundo ele, a solução somente será alcançada quando o sistema de transportes aéreos dispuser de controladores de vôo suficientemente treinados.
Creio não haver muitas dúvidas de que a declaração de Pires esconde promessas não divulgadas da desmilitarização e do aumento substancial nos salários dos profissionais do setor. Sua Excelência, em coro com diversos outros grupos que nunca demonstraram interesse efetivo em solucionar o problema, só consegue ver tal tipo de solução. E nada mais.
 
Enquanto isso, conforme disse a "ministra loira" - tratamento que lhe foi dado por motorista de táxi em que viajei -, os consumidores dos serviços aéreos que relaxem e gozem
 
Senhor Deus dos Desgraçados [de Castro Alves, também baiano como Waldir, apenas brilhante], que fizemos nós para merecer tanto sofrimento? 
(Publicado no dia 20?06/2007) - Coisas do Venerando
 

URGENTE - ESTABELECIMENTOS PSIQUIÁTRICOS DO RIO, SÃO PAULO E BRASÍLIA: PROCURA-SE VAGA EM QUARTO PARTICULAR. PAGA-SE BEM.

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"Não há caos aéreo. Os problemas ocorrem pelo aumento do fluxo. É a prosperidade do país: mais gente viajando, mais aviões e mais rotas." Palavras do ministro Guido Mantega, ontem, 21, 5ªfeira. Sua Excelência, não se sabe se por falta de vagas nas clínicas de Brasília ou de pessoal de saúde especializado e em condições de fazer sua remoção, deixou de ser encaminhado para tratamento. 

 

 

Não podem ter sido outros, sadia leitora, os motivos que mantiveram Mantega, no dia de ontem, fora de estabelecimento psiquiátrico para tratamento urgente. Já em Santa Tereza da Ilha, município de Mato Grosso, onde vivem cerca de 3.500 almas, o prefeito identificou e declarou como sinal de civilização o fato de uma bala perdida atingir cidadã local à margem do rio onde lavava a roupa da família. Por falta de hospício na área recebeu da opinião pública santaterezense o tratamento - justo, a meu ver - de burro.

Pena o nosso ministro da Fazenda não estar em Santa Tereza da Ilha quando fez a infeliz declaração; aí o Brasil inteiro iria saber o que ele realmente é e seriam evitados vultosos gastos [públicos, certamente] com sua internação e tramento.

(Publicado em 22/06/007) - Coisas do Venerando

INCERTEZAS E DESASSOSSEGOS DE UM VELHO CORAÇÃO SOBRE O QUE PODEM FAZER AS AUTORIDADES RESPONSÁVEIS PELA CULTURA NESTE PAÍS

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Nem você - e muito menos eu -, caríssima leitora, recebemos no final do mês [os humildes trocados que nos permitem pagar os livros e a farmácia que nos sustentam] para manter no ar o portal a que se refere Fiuza. Mas é muito incômodo acreditar que sejam esses os critérios adotados pelas cabeças pensantes deste "governo maravilha" a que estamos submetidos. Difícil mesmo de acreditar.

Mas, como como tudo pode acontecer nesta terra que Cabral descobriu, visite logo o Domínio Público e navegue em seu conteúdo, enquanto possível,  caso se concretize o contido na matéria de Fiuza, Tempos Talibãs.

Ah! a razão de meu deleite - parágrafo assinado por Bernardo Soares [heterônimo de Fernando Pessoa] -, que quase esqueço de passar para a romântica leitora, tanta a beleza, vejo eu, nele contida: "O coração, se pudesse pensar, pararia" [Do Livro do Desassossego].

(Publicado em 25/06/2007) - Coisas do Venerando

Coincidência ou não, foi-me razão de deleite, dias atrás, parágrafo de autor português que, sábado último, 23/07, dia das festas de São João de meu tempo, vi transcrito por Guilherme Fiuza em seu blog [Política & Cia.] no site Nominimo. Triste, no entanto, o conteúdo completo da matéria do jornalista, que, em síntese, revela "...a impressão que se tem diante da notícia de que o governo federal vai tirar do ar o portal Domínio Público, por insuficiência de acessos. Ali se pode ler de graça Shakespeare em português, tudo de Machado de Assis, Fernando Pessoa, Joaquim Nabuco, e por aí vai...."

DEVEM SER PRESOS OS MENINOS QUE VIOLENTAM UMA UNIVERSIDADE?

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Deixamos a reitoria inteira e limpa. Não havia equipamentos jogados no banheiro nem mesas empilhadas. Esse cenário pode ter sido ‘montado’ assim que desocupamos a reitoria”. Com essas palavras, tão logo começaram a ser divulgados os danos provocados pelos alunos que ocuparam a universidade, explicava-se um dos invasores da USP aos que tentavam entender os motivos de tanto vandalismo.

Entrevistada por emissora de rádio ontem, 4ªfeira, 27/06, a reitora Suely Vilela confirmou a violação de 46 computadores [13 deles, apenas, têm possibilidade de recuperação] da reitoria, onde foram feitas pelos invasores novas formatações das máquinas e constatado o desaparecimento de peças em algumas delas. Registrados pela perícia, ainda, o furto de 4 notebooks, 13 monitores, além de projetores, impressoras e scanners, além de louças e talheres. Dos 13 computadores da pró-reitoria de Graduação - que usa, no momento, máquinas emprestadas pela Fuvest - apenas um está funcionando. “Sumiram dicionários e um laptop”   [...]   “Na minha mesa, havia documentos da consultoria jurídica, que fica no sexto andar”, informou funcionária que desempenha suas funções na parte térrea do órgão; dizia ela, estupefacta, não entender a razão que levou os estudantes a transferir a geladeira e o aparelho de fax que se encontravam em seu escritório para outras salas.

Alegam os invasores que "pessoas não comprometidas com o movimento” - no caso, alunos de outras universidades que  participaram de um evento na USP e entraram livremente na reitoria - poderiam ter furtado o material não encontrado durante a perícia, já que, nem sempre durante últimos quinze dias da ocupação, exigiu-se documento de identificação daqueles que entraram no prédio nem se fez, ao sairem, revista das mochilas que portavam.

Não me agrada, mas é esta - em forma de página policial [única forma de descrever ação tão estúpida] - a síntese dos resultados materiais da invasão de bárbaros a uma das maiores universidades do país. Outros danos só o tempo revelará.

(Publicado em 28/06/2007) - Coisas do Venerando

DESAFIO EDUCAÇÃO: RESOLVIDO. E HOUVE QUEM ACREDITASSE.

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Diferentes pesquisas realizadas pelo Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), pelo instituto Pólis e pelo IBGE (PME-Pesquisa Mensal de Emprego), revelaram que cerca da quarta parte dos jovens brasileiros, entre os 15 e 24 anos de idade [concentrada, sobretudo, em oito principais regiões metropolitanas do país], está sem atividades profissionais ou educacionais [alguma coisa entre 1,5 e 2,0 milhão de jovens].
Acordam por volta de meio-dia, andam de skate, ficam o dia inteiro colados à tela de um computador, vão para as lojas de jogos eletrônicos ou ficam, simplesmente, andando de um lado para o outro no meio da rua, jogando fora conversas com amigos, a grande maioria dos quais na mesma situação que eles. Caminho fácil para a vagabundagem, anteporta para as drogas e para o crime, consideram alguns, com alguma razão.
Quase todos só encontraram portas fechadas ao deixar o ensino fundamental: nas faculdades ou no trabalho [naquelas, pela falta de vagas ou de recursos para se manter estudando; neste, pela falta de experência]. Cimar Azeredo Pereira, gerente da PME, tenta uma explicação: "Muitas vezes, por causa da dificuldade de encontrar uma vaga, eles desanimam e param de procurar até que a situação melhore. Muitos podem estar estudando em casa ou fazendo cursos esporádicos". Mas existe o lado familiar, as pressões quase que diárias [com razão?] da família, que não facilitam a descoberta de opções razoáveis para que dêem continuidade a suas vidas: "Não quero vagabundo em casa! Vai trabalhar, seu inútil".
Eliane Ribeiro, professora da Faculdade de Educação da Uerj [coordenadora, com outras, da pesquisa do Ibase] tenta explicar: "Pode parecer que ficam todos parados na esquina, sem fazer nada. Muitos estão procurando emprego ou vinculados a projetos sociais. Eles não estão nessa situação porque querem. Alguns saíram da escola porque repetiram várias vezes. Outros tentam entrar numa universidade ou conseguir um emprego, mas neste país isso não é tão simples".
Outras opiniões de estudiosos da questão:
"Eles dizem que, sem experiência, não conseguem se inserir no mercado de trabalho. No entanto, sem a inserção, também nunca terão essa experiência. Muitos reclamaram ainda de preconceito por causa de sua aparência. Dizem que não conseguiram um emprego por causa da cor da pele ou porque não usam a roupa ou o cabelo da moda" [Patrícia Lânes, pesquisadora do Ibase].
"O trabalho se tornou um bem tão escasso que gera uma angústia nesses jovens. As pesquisas feitas com eles mostram uma preocupação grande de "sobrarem" no mercado de trabalho [...] É preciso avaliar por que esses jovens não estão na escola. É porque não há oferta? Faltam vagas noturnas? É preciso uma escola que faça sentido para esses jovens e que os ajude a entrar no mercado", Helena Abramo, organizadora do livro "Retrato da Juventude Brasileira".

Em seu "tour" pela reeleição [na semana corrente] o presidente Lula da Silva está a inaugurar pedras fundamentais de "campi" avançados de universidades em diversos municípios do Brasil. Além do DF, por outro lado, já são 14 os estados brasileiros que contam com universidades públicas que adotaram o "milagroso" sistema de cotas [50% das vagas na Universidade Federal do Amazonas, por exemplo, são reservadas para alunos do interior; que não se preocupem as mulheres negras das Alagoas: há uma subcota para elas na Universidade Federal de seu estado].
Será que foi descoberto o "ovo de Colombo" e nós não sabíamos?
(Publicado em 21/02/2006) - Coisas do Venerando
20/11/2007
04:04 PM

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FRASES DA SEMANA

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FRASES DA SEMANA

"Lula é um preguiçoso, não gosta de trabalhar." Senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL, tratando da disposição de Lula para o trabalho.
"Papai nunca dormiu no ponto. Ele ouvia muito as pessoas, mas tinha pulso como governante. Os inimigos diziam que não podiam conhecê-lo porque assim deixavam de ser inimigos. Ele tinha uma meta a cumprir, que era seu programa de governo. Nós tínhamos um verdadeiro chefe de Estado." Maristela Kubitschek, filha de Juscelino, comentando as palavras do presidente Lula a respeito de seu pai.
"Há aves de mau agouro que não querem enxergar um dedo do que está na frente do seu nariz. Como a imprensa não escreve de tanto que já falei, mesmo assim vou continuar falando e vou ser a rádio peão para dar para vocês." Presidente Lula, em discurso na cidade de Quixadá (CE), criticando a imprensa.
"É um dos homens com a credibilidade nesse governo, e sua saída não faria bem." José Serra, prefeito de São Paulo e pré-candidato à Presidência, sobre Palocci.
"Não vi até agora ninguém confessando um delito praticado. O único que confessou, e parcialmente, foi o Duda Mendonça. Mas ele não contou toda a história." Gustavo Fruet, deputado, sub-relator da CPI dos Correios, sobre o pronunciamento de Palocci.
"Quando eu falei que o presidente Lula sabia do acordo (de R$ 10 milhões entre o PT e o PL na campanha de 2002), eu disse que o que ele sabia era do acordo político, do apoio. Ele jamais negociou comigo." Valdemar Costa Neto, sobre as negociações PT-PL.
"Se for uma transição profundamente renovadora, para mudar estilo de direção, portanto uma ruptura com sistema anterior, eu posso ser candidato... Se por acaso os companheiros entenderem que a transição deve ser mais suave, eu não sou a pessoa adequada, e a chapa tem que ser revisada". Tarso Genro, sobre as eleições para a presidência do PT.
"Não é possível terem feito tanta coisa equivocada e ninguém ter percebido. Será que o presidente Lula nunca viu nada? Se ele não viu nada, como é que ele pode ter chegado a ser presidente?" FHC, sobre o presidente Lula.
"É triste a gente verificar que mais da metade das pessoas não confia no presidente. É um momento de reconstrução nacional." Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, sobre a pesquisa Ibope.
"O PT copiou os piores defeitos da direita populista. Seu grande ideólogo virou Adhemar de Barros, e o Maluf o seu grande espelho." Flávio Tavares, escritor, sobre a crise que atravessa o Partido dos Trabalhadores.
"O primeiro erro de Lula foi ter um chefe da Casa Civil forte." Cristovam Buarque, senador do PT, de saída do Partido.
"Não faz parte da minha personalidade delatar ninguém." Delúbio Soares, ex-tesoureito do PT.
"Ele marcou um gol." Lula, sobre a entrevista de Palocci.
"Ele não seria o meu candidato." Tarso Genro, sobre Palocci.
"O único aparelho de escuta que eu tenho é o estetoscópio." Antonio Palocci, na entrevista à imprensa, domingo.
"Eu não saberia, neste momento, dar argumentos para votar no PT nas próximas eleições." Tarso Genro, presidente do PT, sobre o partido.
"A intelectualidade engajada é suspeita." Leôncio Martins Rodrigues, professor da USP.
"Pode apurar o que quiser. Eu sou favorável a que se apure tudo. Aliás, não entendi... Acabaram de fechar a comissão que ia investigar a questão da privatização das empresas elétricas no governo passado. Por que não apuram? Estou louco para que apurem. Vão ver que não tem nada. E se tiver, que se puna." FHC, sobre suspeitas quanto à privatização de empresas estatais em seu governo.
"Nem sob a ditadura, a direita conseguiu desmoralizar a esquerda como esse núcleo petista." Frei Betto, ex-assessor da Presidência de Lula.
"O PSDB tem de tomar cuidado, não pode imaginar que está tudo resolvido." Fernando Henrique Cardoso, sobre os resultados da pesquisa Ibope.
"O primeiro pronunciamento feito pelo presidente foi muito vago, dizendo que foi traído, mas sem dizer por quem e como. Após a fala de Palocci, com tanta contundência, é fundamental que o presidente Lula venha a público prestar esclarecimentos mais detalhadamente". Michel Temer, presidente do PMDB, após pronunciamento do ministro Palocci.
"O presidente se refugia em comícios, e outros acusados do PT se escondem atrás de um falso estatuto do silêncio." Senador Artur Virgílio (PSDB-AM), líder do partido, comentando entrevista de Palocci.
"Dou a ele credibilidade. Mas essa credibilidade não é uma carta em branco." De Tarso Genro sobre José Dirceu.
"Acredito que o PT vai promover encontros municipais, estaduais e um encontro nacional, e vai fazer uma eleição direta. Do debate político e das disputas entre as chapas, como é característico de uma democracia, vai se chegar a um consenso. O PT vai chegar a uma posição comum." De José Dirceu sobre a crise no PT.
"Eu acho ótimo, porque se houve, e pode ter havido (a compra de votos), não fui eu, não foi o governo federal, não foram meus ministros. Foi um fato local, e os deputados acusados foram para a Comissão de Ética e renunciaram ao mandato. E hoje, os que estão aí estão trabalhando para o governo." FHC, sobre a compra de votos em 1997 para aprovação da emenda para sua reeleição..
"Tarso é candidato a presidente em 2006, caso Lula não seja. Ele está fazendo campanha." Milton Temer, ex-deputado do PT e fundador do P-SOL.
"Nunca vi Roberto Jefferson com bons olhos." De Valdemar Costa Netto, presidente do PL.

 

20/11/2007
03:53 PM

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SEVERINO: NINGUÉM MERECE

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No dia 25 de agosto do corrente ano [2005] o deputado Fernando Gabeira apresentou o seguinte requerimento à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados:
Requerimento contra Severino Cavalcanti
Origem: Câmara dos Deputados
CONSELHO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR
REPRESENTAÇÃO N° ... DE 2005
Requer a aplicação de penalidade disciplinar por conduta incompatível com o decoro parlamentar ao Exmo. Senhor Severino Cavalcanti Presidente da Câmara do Deputados.
Senhor Presidente,
Com base no artigo 244 do Regimento Interno da Casa apresentamos esta representação contra o Presidente da Casa, deputado Severino Cavalcanti, acusando-lhe de conduta incompatível com o decoro parlamentar e com sua condição de Presidente por ter interferido em favor da empresa Gameleira, tentando favorecer atividades comerciais suspensas por utilização de trabalho escravo.
As reportagens da revista Época que confirmam esta acusação estão anexas ao documento, assim como a reportagem de O Globo na qual o presidente Severino Cavalcanti confirma sua interferências em favor da Gameleira.
O trabalho escravo é condenado por nossa legislação. Assumimos compromisos internacionais com a extinção dessa prática. No entanto, o presidente da Câmara, em telefonemas à BR-Distribuidora, assim como a Ipiranga, esta de capital privado, tentou levantar a retomada de compra de alcool da Gamaleira, suspensa por orientação do governo na sua campanha contra trabalho escravo.
O gesto do Presidente Severino Cavalcanti, na aurora do século XXI, agride nossas leis, nossos compromissos internacionais, e, sobretudo nossa história. Do mesmo estado de origem de Severino, o Brasil teve o deputado Joaquim Nabuco que se notabilizou, no século XIX, pela sua campanha anti-escravagista.
Em função disto, solicitamos o recebimento desta Representação, a intimação e oitiva do presidente Severino Cavalcanti para que apresente sua defesa no prazo regimental.
Finalmente, pedimos sua condenação pelo desrespeito aos artigos 3 e 4 do Código de Ética, aplicando-se as penas previstas no artigo 10.
Sala da Sessões, 25 de agosto de 2005.
Deputado Fernando Gabeira
XXXXX
Cinco dias depois foi registrado o seguinte debate naquela casa, conforme transcrição que se segue:
Data: 30 de agosto de 2005.
Transcrição:
SR. FERNANDO GABEIRA: Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem, para uma reclamação. Já pedi a palavra há algum tempo e V. Exa. finge que não está vendo.
SR. PRESIDENTE (Severino Cavalcanti): - Então, V. Exa. tem a palavra. V. Exa. falou muito baixo ou muito fino.
SR. FERNANDO GABEIRA (PV-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.): - Obrigado. V. Exa. tem que prestar mais atenção. V. Exa. concedeu uma entrevista à Folha de S. Paulo não compatível com um Presidente da Câmara, interferindo, em nome da Câmara dos Deputados, a favor de uma empresa que mantêm trabalho escravo. Telefonou para a Ipiranga, uma empresa particular, assim como para a BR - Distribuidora, uma empresa estatal.V. Exa. está se comportando de uma maneira indigna no cargo de Presidente da Câmara dos Deputados. Estou reclamando porque ainda não posso entrar, no Conselho de Ética, contra V. Exa. Sou um Deputado isolado, mas afirmo que V. Exa. está em contradição com o Brasil. A sua presença na Presidência da Câmara é um desastre para o Brasil e para a imagem do País. Ou V. Exa. começa a ficar calado ou vamos iniciar um movimento para derrubá-lo.
SR. PRESIDENTE (Severino Cavalcanti): Deputado, recolha-se à sua insignificância e não fique fazendo insinuações que só cabem a V. Exa. Eu não aceito.
SR. FERNANDO GABEIRA: Voltaremos.
Algo a comentar, prezado leitor?

 

20/11/2007
03:28 PM

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E SE O ITAMARATY RESPONDESSE COM NOTA MAIS CURTA E OBJETIVA, DO TIPO: "PAPAGAIO DO CONGRESSO AMERICANO É A SENHORA SUA GENITORA, SENHOR CHÁVEZ!!"?

posted by zerodrigues inʖ

Íntegra da nota divulgada pelo Itamaraty a respeito do tratamento que Hugo Chávez dispensou ao Congresso nacional:


"Tendo tomado conhecimento, em Londres, de declarações atribuídas ao presidente Hugo Chávez a respeito do Congresso brasileiro, o presidente Lula reafirmou seu total apoio às instituições brasileiras e expressou seu repúdio a manifestações que coloquem em questão a independência, a dignidade e os princípios democráticos, que norteiam essas instituições.

Enquanto aguarda a transcrição das referidas declarações, o presidente Lula determinou que o Ministério das Relações Exteriores convoque o embaixador da Venezuela no Brasil para os indispensáveis esclarecimentos."

Ou seja, ficou o dito pelo não ouvido.

 

18/10/2007
05:52 PM

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ZUM ZARAVÁ, AMIGO

posted by zerodrigues inʖ

Amigo

Liberou-me o médico, ontem à noite, para voltar ao trabalho. Com as recomendações de sempre: manter a bendita dieta; observar as caminhadas diárias de, no mínimo, trinta minutos; continuar com a medicação que ultimamente esqueço, com regularidade cada vez maior, de tomar; e, sobretudo, não me emocionar e manter-me equilibrado, o que vale dizer: afastar da lembrança as tristezas de todo dia, as ausências e as perdas irrecuperáveis.


Difícil, amigo, esta última recomendação. Sobretudo quando o vemos partir sem a possibilidade de, no mímino, um "até logo, irmão, a gente se vê daqui a pouco", sem um abraço, um olhar ou, ao menos, um abanar de mãos.

Foi você, de nosso grupo, sempre, o mais contido, o de menos falar e mais ouvir. E é assim, em silêncio, enrustido, deixando-me a mim, em particular, com a imagem do último encontro que tivemos - sentados frente a frente no almoço de comemoração do jubiléu de nossa turma do Colégio - a lembrar os quarenta [um pouco mais, um pouco menos] anos de saudades e desencontros que tivemos na vida.

Ficaram, amigo, as lembranças do feijão de dona Duduca, minha mãe, que tanto bem lhe queria; ficaram as recordações do travesseiro que dona Maria, sua mãe, separava para mim e que deixava morto de ciúmes nosso outro amigo que está, hoje, a recebê-lo na nova morada em que viveremos todos, não vai levar tanto tempo assim; ficaram, amigo, o metrônomo sobre o piano da sala de estar de sua casa que só o Gaguinho tocava [e como!], o Studebaker que ninguém dirigia melhor que você, as madrugadas dos dias de prova de Física, as molecagens na sala de aula.

Não fomos estudar Direito em Coimbra como tantas vezes planejamos. Os caminhos e, mais que eles, os descaminhos da vida nos levaram para outros céus, outras terras, outros mares.

Quem sabe, amigo, juntos, num dia qualquer de chuva, estendamos as capas pretas de Coimbra para que nossas irmãs portuguesas - mais suas que minhas - não sejam obrigadas a ter seus pezinhos sujos de lama?

Beijos do amigo que espera sua hora para encontrá-lo. Vai ser um carnaval.

Zum zaravá.

(Publicado em 24/11/2006 no Blog do Venerando)

16/10/2007
05:19 PM

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COMEÇA A LIMPEZA NA PENÍNSULA DOS MINISTROS

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Enquanto circulam, meio que às escondidas [ao contrário do que acontece e se vê nas páginas de revista especializada na apresentação de mulheres convenientemente peladas], nos corredores do Senado, as fotografias de bem conservada e provida comunicadora lotada na Capital da República, o presidente em exercício da Casa [Tião Viana (PT-AC)] recebe de membros da oposição o pedido de encaminhamento - para o Conselho de Ética - da quinta representação contra o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), licenciado por 45 dias, acusado pelo DEM e PSDB de mandar espionar [é, leitora amiga, a palavra certa é essa, espionar] os defensores de sua cassação. Objetivo, não declarado mas por todos conhecido, da arapongagem do senador alagoano: chantegear seus adversários com vistas a diminuir o peso das acusações que lhe são feitas.

Apresentada no dia 7 último, quando Renan ainda estava na Presidência do Senado, a quinta representação não chegou a ser analisada; mas, o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), espera indicar o relator da nova representação hoje, terça-feira, 16. Defende ele que a investigação seja feita juntamente com a terceira [suposto uso de laranjas por Renan para comprar rede de comunicação em Alagoas], levando a crer, levada em conta tal circunstância, que o senador Jefferson Péres (PDT-AM) venha a ser mantido como relator das duas representações [já que o é da terceira], o que é garantia, na certa, de deixar preocupadíssimo o presidente licenciado.

X X X

Do outro lado da questão, objetivam os governistas discutir a CPMF até o final de novembro e concluir a votação, no máximo, em 20 de dezembro. Serão necessários, no mínimo, para aprovar a medida em plenário, 49 votos favoráveis. No almoço programado para hoje com os líderes dos partidos o presidente interino do Senado tentará negociar acordo com a oposição objetivando aprovar a contribuição no prazo e condições que são de interesse do governo ["Se nós não votarmos - diz Tião Viana, o prejuízo será de] R$ 3 bilhões a partir de janeiro. É possível construir um entendimento"].

José Alencar - no exercício da Presidência da República enquanto Sua Excelência Lula cumpre sua sétima viagem [como representante comercial número um do etanol] ao continente africano - também projeta reunir-se com líderes das bancadas governistas e da oposição [no correr da presente semana] para discutir a prorrogação da contribuição apelidada de imposto.

Só Deus sabe no que vai dar tanto encontro e tanta reunião entre autoridades do governo e oposição.

X X X

No que diz respeito ao senador alagoano nada mais esclarecedor que a síntese das matérias encontradas nos principais jornais do país:

Renan começa a fazer a limpeza [no bom sentido] da residência oficial. Ameaça de renúncia no ar.

14/10/2007
06:52 PM

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DE CARECAS, DA CABELEIRA DISCRETA DE CLARK GABLE E DO DESTINO DE BERZOINI

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Perdoe o preocupado leitor nestes dias que antecedem o segundo turno das eleições; volto ao cansativo problema dos carecas mais preocupados com a carequice alheia que com as suas próprias calvas. É o caso de meu companheiro Arapa, que ontem, neste blog - mais uma vez, com sua gentil atenção, leitora -, trouxe à baila.

Recordam-se vocês da frase de meu amigo que fazia parte da postagem de ontem? Lembro-a, caso já se tenha recolhido ao mais íntimo de seus conscientes: "Eu sou careca, sim; mas você também é."
Dizia-o como se as coisas mudassem para ele e para seu interlocutor; como se sentisse melhor, praticamente liberto daquela maldição que o perseguia desde o final da adolescência; como se tivesse cabeleira digna [não necessariamente abundante] de um Clark Gable(*) da vida.
Aliviava-o a visão de calva muito menos marcante, de fato, que a sua, exposta de forma a lhe permitir fazer comparações e inferências, justificadas, apenas, por possibilidades distantes encontradas unicamente em sua cabeça. Era quase um orgasmo...

Recorro, como ontem, a postagem - com pequenas alterções - que fizemos em julho do ano que passou e à qual demos o título de "Arapa, o Careca; Berzoini, o Maduro".
Transcrevo-a esperando que os quadros mais importantes do PT- neste instante em que se preparam para "dar a Berzoini" a oportunidade de se demitir da presidência do partido - façam justiça, apenas justiça, para com o mal-humorado parlamentar que o país teve a infelicidade de conhecer ao se iniciar o projeto de poder do sr.Da Silva e seus companheiros.


"Frase do ex-ministro de Lula da Silva, Ricardo Berzoini, aquele que não gostava de velhinhos:
'Não se fala, por exemplo, que o presidente do PSDB (Eduardo Azeredo) usou caixa 2, o ex-ministro (Roberto) Brant, do PFL, usou caixa 2, o ex-líder do PSDB na Câmara, Custódio de Mattos, ex-prefeito de Juiz de Fora, usou caixa 2. É só com os petistas a perseguição?'

Não; fala-se deles, também, e o senhor, por exemplo, o faz e nós estamos divulgando.
Mas responda rápido, cara e inteligente leitora: Os petistas acusados de fazê-lo [usar o caixa 2], usaram-no ou não? Torna-os melhores e isentos de castigo o fato de verdadeira a afirmação de Berzoini?

Lembro-me, mais uma vez, de meu amigo Arapa, solene em sua calvície prematura [tínha dezessete, dezoito anos; era jovem, muito jovem àquela época]: "Eu sou careca, sim; mas você também é."
Verdade; mudava muito as coisas...

X X X
Perguntou-me, dias desses, meu neto mais velho, dezoito anos, estudante de Direito:
"Vô, por acaso algum dos mensaleiros foi ou está preso?"
Silenciei... Depois do resultado do segundo turno das eleições talvez seja possível responder como se faz nos lugares sérios.
(*) Clark Gable - galã do cinema americano nos anos 40 e 50.


(Publicado no Blog do Venerando em 06/10/2007)

14/10/2007
06:33 PM

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BAGDÁ É AQUI, AMIGOS.

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 Meu amigo que há anos não vejo mas com quem falo toda semana por intermédio desta maravilha que é a Internet, depois de um mês sem entrar em contato e duas ou três mensagens sem resposta, envia "e-mail" dando notícias. Transcrevo abaixo, sem mesmo pedir sua autorização, trecho da mensagem que mandou vinte e quatro horas atrás, alterando um e outro dado que possam vir a identificá-lo; as razões, entenderão os que chegarem ao final do texto:

"... Hoje, agora, está tudo bem, novamente, mas não esteve. Eu e Maria fomos vítimas de um assalto, a mão armada, por dois pilantras, logo depois da saída do nosso condomínio, com destino ao trabalho. Deixaram o carro em que estavam, levando o nosso, com agasalhos, bolsas e tudo o mais (dinheiro, talões de cheques, documentos, cartões de crédito, etc., etc.) O medo era de um sequestro que, felizmente, não ocorreu. O carro foi recuperado, no dia seguinte, quando comboiava um caminhão de ração, roubado no dia anterior. Nada a ver com o nosso episódio, porém valeu!
B.O., perícia técnica, vistoria, anulação de tudo o que sumiu e a obtenção de novos documentos é que demorou e ainda está demorando muito, além de consumir longo e exaustivo tempo. O susto, também, foi muito grande e não é fácil esquecê-lo.
Graças a Deus, estamos vivos, um pouco mais tristes, descrentes e preocupados, porém vivos... e torcendo, cada vez mais, pelo triunfo da polícia nos enfrentamentos com esssas quadrilhas de marginais que tanto infestam e proliferam em nosso país..."

Meu amigo já passou dos setenta anos faz algum tempo mas, apesar da idade, continua a conduzir com sua mulher [e, hoje, com a participação dos filhos], de forma competente e irrepreensível, a empresa que ajudou a construir na "Paulicéia Desvairada", com dois ou três amigos que já se foram, há bem mais de quarenta anos.
Preocupado com a violência que crescia na região da cidade que escolhera para instalar sua indústria decidiu transferí-la e transferir-se [com gato, sapato, papagaio, cachorro e empregados de total confiança, quase todos, é bom que se diga, que cheguei a conhecer pessoalmente durante as inúmeras visitas que lhes fiz quando localizado, ainda, em São Paulo] para o interior do estado. Cansou de mandar-me fotografias da terra que escolhera para viver e trabalhar. Não perdia oportunidade de realçar a segurança e tranquilidade do condomínio em que construiu sua nova casa; eu, deste Rio do Complexo do Alemão e vizinho do Vidigal e da Rocinha, chegava a ouvir o canto dos pássaros e o barulho das águas que o cercavam.

Senti tristeza e amargura em sua mensagem, desencanto não. Nada falou nem sugeriu no sentido de abandonar o recanto que escolheu para viver. Não é coisa fácil transferir de um lado para o outro empresa com o grau de sofisticação tecnológica que a sua alcançoua e abandonar a casa feita com tanto carinho; basta, para ele e a mulher a primeira partida de São de Paulo.

Temo que o casal, meus queridos irmãos, se veja obrigados a por lá continuar, tristes e felizes no paraíso em que vivem; mas, certamente, com uma ponta de dúvida quanto a que destino poderá vir a ter a cidadezinha pacata que começa a receber os remanescentes da bandidagem que deixa o Rio e São Paulo para lá se estabelecer.

X X X

Fica difícil, cada vez mais, viver nesta terra, Bagdá disfarçada de país do futuro.

(Publicado no Blog do Venerando em 2007)

 

14/10/2007
12:02 PM

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EU, EU, EU...

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Quando estudante, para fixar os pontos mais importantes das matérias expositivas, sempre utilizei o grifo. E dava certo. Não sei quais mecanismos físicos ou psicológicos colaboravam para que, em curto prazo, alinhavasse os assuntos mais importantes e obtivesse, com freqüência, bons resultados nas provas. Ficou o hábito para o resto da vida; uso a singela marcação todas as vezes em que é de meu interesse aprofundar um pouco mais o conhecimento sobre o conteúdo de qualquer assunto.
Atente, inteligente leitor [leitora] para os grifos que usei com vistas a destacar trechos do pronunciamento feito pelo Presidente da República no dia 12 último. Todos, por motivos óbvios, relacionados à segunda parte de seu discurso; dispensamos a primeira por ser repetição de tudo que Sua Excelência lê todos os dias.
EU DECIDI...
Em 1980, no início da redemocratização [eu] decidi (grifo nosso) criar um partido novo que viesse para mudar as práticas políticas, moralizá-las e tornar cada vez mais limpa a disputa eleitoral no nosso país.
EU ME SINTO TRAÍDO
Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, eu me sinto traído (grifo nosso). Traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento.

EU NÃO MUDEI
Eu não mudei (grifo nosso) e, tenho certeza, a mesma indignação que sinto é compartilhada pela grande maioria de todos aqueles que nos acompanharam nessa trajetória.
QUALQUER CIDADÃO HONESTO
Esta é a indignação que qualquer cidadão honesto (grifo nosso) deve estar sentindo hoje diante da grave crise política. Se estivesse ao meu alcance, já teria identificado e punido exemplarmente os responsáveis por esta situação.

MEU PARTIDO
Determinei, desde o início, que ninguém fosse poupado, pertença ao meu Partido (grifo nosso) ou não, seja aliado ou da oposição.

EU NÃO TENHO NENHUMA VERGONHA
NÓS TEMOS QUE PEDIR DESCULPAS
Queria, neste final, dizer ao povo brasileiro que eu não tenho nenhuma vergonha (grifo nosso) de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas (grifo nosso). O PT tem que pedir desculpas.

X X X
Aproveite o tempo, amiga, e grife -  pelo resto da vida mais dez anos - o pronome de S.Excia.
(Publicado no Blog do Venerando em 14/08/2007)

 

 

 

O QUE PAGA A POBREZA DO BRASILEIRO

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Quem pesquisar o SIAFI (Sistema de Administração Financeira do Ministério da Fazenda), como fez a ONG Contas Abertas, constatará que [de 2001 a 2005] foram pagos, com recursos oriundos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza:
- em passagens...R$19,0 milhões;
- em diárias...R$ 12,9 milhões;
- em veículos...R$ 9,3 milhões; e
- em CPMF...R$ 48,3 milhões.
Além dos itens apontados foram efetuadas despesas com "explosivos e munições" (R$ 58.350,21), "alimentos para animais" (R$ 238.549,97) e utensílios para "festividades e homenagens" (R$ 29.619,00).

Fica a dúvida - expressa em Requerimento de Informações ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome pelo deputado federal Eduardo Paes (PSDB/RJ): de que forma tais dispêndios [aos quais se somam uma câmera digital Sony, o aluguel de um carro Gol (com ar condicionado), a compra de plaquetas para o tombamento patrimonial no Ministério da Justiça, o apoio à realização do XI Encontro Brasileiro de Gays, Lésbicas e Travestis e o ressarcimento de moradias funcionais em Brasília] ajudaram a erradicar a pobreza no Brasil.

Acredite, prezada e inteligente leitora, o MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) não identificou qualquer irregularidade nos dispêndios apontados. O que conflita com o pensamento do Tribunal de Contas da União (TCU):que investigou o assunto em 2005 e planeja ampla auditoria para o corrente ano. Vale a pena acompanhar o trabalho do Tribunal.

(Publicado no Blog Coisas do Venerando em 11/01/2006)

JÁ NÃO SE FAZ 1º DE MAIO COMO ANTIGAMENTE

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 Confesso: não tenho a menor lembrança de como era executada a logística de transferência de tanta gente para o Estádio do Vasco; nem de como - parecia um passe de mágica - faziam chegar às suas mãos tantas bandeirinhas do Brasil e copinhos de guaraná [ou seria laranjada?] com cachorro-quente e [ou?] sanduiches de mortadela com queijo [muitas vezes, sempre ou quase sempre?]; também sem registro em minha memória, era a alegria da garotada naqueles idos dos anos 40, nas comemorações do Dia do Trabalhador.


Mas a glória mesmo era ver o Getúlio desfilando naquele carro de capota arriada, o mesmo gesto de todos os anos, o mesmo sorriso, o mesmo negrão alto caminhando ao lado carro, chapéu na cabeça, mais parecendo um príncipe etíope, fazendo contraponto à figura do presidente. Balançávamos nós, crianças - entre elas, eu - e adultos, as bandeirinhas brasileiras a cumprimentar o grande homem, o Pai dos Pobres, que, sem parar de sorrir pessoalmente para cada um dos presentes [era o que me parecia, então], circundava o gramado, lentamente, como em volta olímpica a homenagear o povo obreiro do Brasil.


Hino Nacional muito bem ensaiado, Banda Marcial dos Fuzileiros Navais [a que mais emocionava os participantes da grande festa] e, por fim, o discurso, sempre ansiosamente aguardado pela "massa de trabalhadores" presentes, nela incluida, ao que hoje entendo, a garotada feliz. Voz mais chegada ao agudo que ao grave - bem condizente com o todo daquele presidente gorducho de sotaque pampiano que jamais perdeu - Getúlio, indefectivelmente, iniciava sua mensagem ao povo naquela data festiva:
"Trabalhadores do Brasil..."

E o povão não o deixava prosseguir [palmas, palmas e mais palmas] como se estivesse a pedir bis pelas três palavrinhas mágicas. Não importava o que viesse a dizer Sua Excelência, de nada valia o conteúdo do texto preparado por sua equipe de colaboradores [falou-se, entre outros, que o general Góes Monteiro, a Adalgisa Nery e o Lourival Fontes teriam sido seus autores, não sei]. Importava era o "Trabalhadores do Brasil..." - até hoje em minha memória, pelo tom, pelo andamento com que era dito, pelo sotaque, pelo homem que o dizia...

Terminaram os desfiles do 1º de maio no campo do Vasco, tenho a impressão, com a queda da ditadura em 45. Não estou absolutamente certo do que digo: passados tantos anos muitas são as experiências passadas na vida deste blogueiro [quase septuagenário] que já estão arquivadas no escaninho do esquecimento. Mudei de colégio, mudei de casa, mudei de amigos. Mudou o Brasil.
Getúlio passou a ser Dr.Getulio quando eleito pelo voto popular em 50. Botaram o retrato do velho na parede novamente [só para lembrar aos mais novos: não eram muito bem vistos os chefes de família que, à época da ditadura getuliana não tinham o retrato do presidente na principal parede da casa]. Surgiu o "mar de lama" nos porões do Catete. Preso - e morto, anos depois, nas dependências de uma penitenciária onde cumpria pena por crimes que comandara - o negrão etíope que acompanhava, a pé, o carro do Pai dos Pobres dando a volta olímpica no estádio do Vasco. Mata-se o Dr.Getúlio "em nome do povo por quem tanto fez e nada pediu."

X X X

Televisão, televisão colorida. Novos costumes. Corrupção de cara nova. Nova ditadura [boa, mas boa mesmo, foi a "outra"]. Diretas já. Internet. Eleições, Collor de Mello, FHC.
E deu no que deu...

Agora, leitora, o pronunciamento é na televisão, via Embratel, a cores, para o Brasil e para o mundo. Ou Sua Excelência atual - em ataque não sei se de megalomania profunda ou maluquice mansa mesmo - não disse que "Não queria comparar o meu governo com o governo passado, porque isso seria como um Corinthians e Íbis. Queria comparar o nosso governo com toda a República, com o mundo todo [destaque nosso], para ver se em algum momento na história houve um governo com tanta participação dos trabalhadores"? Não parece aquela história do "diga, espelho meu, existe alguém no mundo mais..." dedicado ao trabalhador do que eu?
Pois é isso.
X X X

Não esqueci - e nunca esquecerei - o motivo pelo qual nunca vi meus pais nos festejos no campo do Vasco: minha mãe não podia deixar o marido sozinho na cama hospitalar montada em seu quarto, padecente de osteomielite, numa época em que não existia penicilina, nem sulfa, nem leite condensado e nem radinho de pilha.
Não iriam, de qualquer forma, bem sei. Ou não eram os homens do DIP do Getúlio - aqueles muito parecidos com o negrão Gregório que morreu na penitenciária - de terno completo, peletó, gravata e aquele chapéu [aba larga] que iam prender meu pai, jornalista, por criticar o ditador no jornal em que escrevia? Só não o levavam por um motivo: o médico que o assistia avisava que posto fora da cama morreria na primeira esquina. E os homens do ditador tinham medo.

X X X

Morreu o Rei, Pai dos Pobres. Viva o Rei, pai de quem? 

(Publicado em 1º de maio de 2006 no Blog do Venerando)

HÁ DE TER SIDO UMA BOA VIAGEM. SE ALGUMA COISA CHEGOU A SER RESOLVIDA NÃO É PROBLEMA NOSSO.

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Chegou à terra em que viveu e morreu o Príncipe Rainier III, tempos atrás, o ministro Tarso Genro.

Informou o Ministério da Justiça [do qual é presentemente titular], na semana que passou: não faria parte da bagagem preparada para a viagem do ministro ao Principado de Mônaco pedido formal de extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, foragido há sete anos da Justiça brasileira, mas tão somente os trechos mais relevantes das ações contra ele. Ontem, segunda-feira, 24, Genro reuniu-se com Philippe Narmino, diretor dos Serviços Judiciários de Mônaco - cargo, lá, equivalente ao de ministro da Justiça -, e, mais tarde, com Annie Brunet-Fuster, Procuradora-Geral.

Segundo esta - que afirma estar à espera, nos últimos dias, dos documentos brasileiros para que o processo contra o ex-banqueiro avance com maior presteza na Justiça local - será necessário que Sua Excelência, o senhor ministro Genro, leve o pedido de extradição traduzido para a língua francesa; caso contrário sua visita terá sido de caráter exclusivamente diplomático. 

Sabe-se, porém, de concreto, que o dossiê contra Cacciola à disposição das autoridades judiciárias monegascas, limita-se, até o presente momento, a não mais que uma dezena de documentos [que não chegam a preencher uma pasta] cuidando, basicamente, de sua prisão no principado.

X X X

Há uma impressão, generalizada, entre os que acompanharam os passos de Sua Excelência, de que sua viagem [paga pelo contribuinte brasileiro] ao berço do Príncipe Albert II - filho da atriz Grace Kelly com seu pai - teve caráter turístico-cultural maior que outra coisa qualquer.

Pena que o Grand-Prix de Mônaco não tenha sido transferido para o último final de semana. A escala em Paris, em compensação...

HISTÓRIA DE JORNALISTA

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Lembrei, neste final de semana, de antigas histórias que meu velho pai contava - jornalista cheio de histórias de redações - a respeito de certos companheiros de trabalho, alguns dos quais cheguei a conhecer pessoalmente. Motivo da lembrança: matéria sob o título Os Desaparecidos que me chegou às mãos, assinada por Themistocles de Castro e Silva e publicada dia 15 último, no jornal O Povo, Ceará. Transcrevo, no correr desta postagem, alguns trechos do artigo:

"A pessoa mais indicada para falar sobre os "desaparecidos", no lançamento do livro da secretaria dos Direitos Humanos, é hoje figura de influência na equipe de Lula. Trata-se de Franklin Martins, chefe do setor de imprensa, mas leva nome de ministro..."

"... Franklin Martins, [foi]
o redator do Manifesto da Ação Libertadora Nacional (ALN) e do Movimento Revolucionário de Outubro (MR-8), divulgado nos jornais, rádios e televisão como condição "b" para libertação do embaixador dos Estados Unidos, Burke Elbrick, seqüestrado em setembro de 1969. Aqui, no O POVO, foi publicado no dia 6.9.69, com o título 'O manifesto dos terroristas' ..."

Seus dois primeiros parágrafos - do manifesto escrito pelo hoje "ministro" Franklin Martins, vale lembrar, e que termina com a seguinte advertência: "Agora, é olho por olho, dente por dente" - diziam:

"Ao povo brasileiro - Grupos revolucionários detiveram hoje o sr. Charles Burke Elbrick, embaixador dos Estados Unidos, levando-o para algum lugar do país, onde o mantêm preso. Este ato não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores.

Na verdade, o rapto do embaixador é apenas mais um ato da guerra revolucionária, que avança a cada dia e que ainda este ano iniciará sua etapa de guerrilha rural..."


Acredita Themistocles, no que faço coro, que
"... ninguém melhor do que Franklin Martins, que vive ao lado de Lula, para saber quem foi para a 'guerra revolucionária' e levado por quem, inclusive a guerrilha rural do Araguaia, coordenada pelo PC do B de João Amazonas, que ficou em São Paulo, deixando sem orientação os jovens que seduziu   [...]   Se foi uma guerra, na expressão deles próprios, desde quando o lado vencedor tem a missão de procurar desaparecidos do lado perdedor? Quem selecionou o pessoal dos terroristas é que deve saber e conhecer todos eles e onde se encontravam. José Genoíno, por exemplo, foi um dos presos pelo Exército. Se um dos principais não sofreu nada (e ainda recebeu R$ 100 mil de indenização), por que o Exército iria preferir os insignificantes para fazê-los desaparecer? 

Dizia o manifesto em seu final que "...A vida e a morte do embaixador Elbrick estão nas mãos da ditadura. Se ela atender às ... exigências, o senhor Elbrick será libertado. Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a Justiça Revolucionária."

X X X

Das mais antigas, entre as histórias que meu pai contava, era uma que envolvia o seu companheiro de redação e depois senador, jornalista Mario Martins - antigo aliado de Carlos Lacerda na UDN [partido que nosso primeiro mandatário, hoje, colocaria entre os "da zelite"] -, à época em que foi vítima da ditadura getulista.

Preso pelos homens de Getúlio, acusado de simpatizante do Partido Comunista [há quem garanta que, além de simpatizante, era membro efetivo e importante], Mario Martins, com outros companheiros, teria cumprido seu tempo de preso político com uma enxada na mão, plantando legumes e cantando o Hino Nacional. Objetivo: esquecer as motivações partidárias que o levaram à cadeia e afastá-lo das doutrinas perniciosas que punham em risco a segurança do país.

Pois bem, cara leitora, Franklin Martins [o do manifesto] é filho de Mario Martins [que conheci e com quem convivi, garoto ainda, na redação do jornal em que meu pai trabalhava], o ex-senador udenista e, como ele, jornalista. Talvez o pai não lhe tenha contado [se verdadeira for, e acredito que sim] a história da enxada com o Hino Nacional. Se contou - que pena! - o filho não entendeu nada.

E, pior que isso, passou de aprendiz de guerrilheiro a ministro sem pasta...

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