BAGDÁ É AQUI, AMIGOS.
posted by zerodrigues in:
Meu amigo que há anos não vejo mas com quem falo toda semana por intermédio desta maravilha que é a Internet, depois de um mês sem entrar em contato e duas ou três mensagens sem resposta, envia "e-mail" dando notícias. Transcrevo abaixo, sem mesmo pedir sua autorização, trecho da mensagem que mandou vinte e quatro horas atrás, alterando um e outro dado que possam vir a identificá-lo; as razões, entenderão os que chegarem ao final do texto:
"... Hoje, agora, está tudo bem, novamente, mas não esteve. Eu e Maria fomos vítimas de um assalto, a mão armada, por dois pilantras, logo depois da saída do nosso condomínio, com destino ao trabalho. Deixaram o carro em que estavam, levando o nosso, com agasalhos, bolsas e tudo o mais (dinheiro, talões de cheques, documentos, cartões de crédito, etc., etc.) O medo era de um sequestro que, felizmente, não ocorreu. O carro foi recuperado, no dia seguinte, quando comboiava um caminhão de ração, roubado no dia anterior. Nada a ver com o nosso episódio, porém valeu!
B.O., perícia técnica, vistoria, anulação de tudo o que sumiu e a obtenção de novos documentos é que demorou e ainda está demorando muito, além de consumir longo e exaustivo tempo. O susto, também, foi muito grande e não é fácil esquecê-lo.
Graças a Deus, estamos vivos, um pouco mais tristes, descrentes e preocupados, porém vivos... e torcendo, cada vez mais, pelo triunfo da polícia nos enfrentamentos com esssas quadrilhas de marginais que tanto infestam e proliferam em nosso país..."
B.O., perícia técnica, vistoria, anulação de tudo o que sumiu e a obtenção de novos documentos é que demorou e ainda está demorando muito, além de consumir longo e exaustivo tempo. O susto, também, foi muito grande e não é fácil esquecê-lo.
Graças a Deus, estamos vivos, um pouco mais tristes, descrentes e preocupados, porém vivos... e torcendo, cada vez mais, pelo triunfo da polícia nos enfrentamentos com esssas quadrilhas de marginais que tanto infestam e proliferam em nosso país..."
Meu amigo já passou dos setenta anos faz algum tempo mas, apesar da idade, continua a conduzir com sua mulher [e, hoje, com a participação dos filhos], de forma competente e irrepreensível, a empresa que ajudou a construir na "Paulicéia Desvairada", com dois ou três amigos que já se foram, há bem mais de quarenta anos.
Preocupado com a violência que crescia na região da cidade que escolhera para instalar sua indústria decidiu transferí-la e transferir-se [com gato, sapato, papagaio, cachorro e empregados de total confiança, quase todos, é bom que se diga, que cheguei a conhecer pessoalmente durante as inúmeras visitas que lhes fiz quando localizado, ainda, em São Paulo] para o interior do estado. Cansou de mandar-me fotografias da terra que escolhera para viver e trabalhar. Não perdia oportunidade de realçar a segurança e tranquilidade do condomínio em que construiu sua nova casa; eu, deste Rio do Complexo do Alemão e vizinho do Vidigal e da Rocinha, chegava a ouvir o canto dos pássaros e o barulho das águas que o cercavam.
Senti tristeza e amargura em sua mensagem, desencanto não. Nada falou nem sugeriu no sentido de abandonar o recanto que escolheu para viver. Não é coisa fácil transferir de um lado para o outro empresa com o grau de sofisticação tecnológica que a sua alcançoua e abandonar a casa feita com tanto carinho; basta, para ele e a mulher a primeira partida de São de Paulo.
Temo que o casal, meus queridos irmãos, se veja obrigados a por lá continuar, tristes e felizes no paraíso em que vivem; mas, certamente, com uma ponta de dúvida quanto a que destino poderá vir a ter a cidadezinha pacata que começa a receber os remanescentes da bandidagem que deixa o Rio e São Paulo para lá se estabelecer.
X X X
Fica difícil, cada vez mais, viver nesta terra, Bagdá disfarçada de país do futuro.
(Publicado no Blog do Venerando em 2007)
